Autódromo aposta em museu
Tem um automóvel clássico e não sabe onde dar umas voltinhas sem arriscar que um automobilista descuidado o transforme em sucata?
O Circuito Estoril pretende criar um museu dinâmico para guardar as relíquias do passado e permitir que sejam conduzidos pelos seus proprietários no autódromo, ao final da tarde ou ao fim-de-semana.
Muitas garagens e parques de estacionamento guardam em segurança centenas de automóveis clássicos. A maioria, porém, vai acumulando pó, porque os proprietários receiam o caos do trânsito citadino. Domingos Piedade, presidente da CE-Circuito Estoril, aposta na criação de um museu no autódromo situado nas proximidades da serra de Sintra. “Será um local onde os donos de carros clássicos de competição possam ter os seus bólides, virem até cá e usufruírem das condições óptimas da nossa pista. É como se tivessem um cavalo e fossem ao fim-de-semana montar um bocadinho”, refere o gestor do autódromo.
A pista poderá ser usada também durante a semana, por um largo período do ano, após as 17h e até ao pôr-do-sol. Além de guardar os automóveis, o museu terá ainda uma componente de formação profissional para mecânicos, que assegurem a manutenção dos veículos, para que estejam em condições de funcionar.
Em desenvolvimento estão também um kartódromo e a Escola de Condução Defensiva e Energética. “Queremos pôr cobro a uma epidemia grave que são os acidentes mortais”, salienta Domingos Piedade. O projecto, em parceria com o Automóvel Clube de Portugal, pretende reduzir a sinistralidade rodoviária, primeiro com a formação de condutores de veículos prioritários (bombeiros e forças policiais) e também com programas para motoristas de transportes públicos e crianças. “Simultaneamente, iremos ensinar técnicas de condução que poupem energia e mais amigas do ambiente”, acrescenta o presidente desta sociedade de capitais públicos, notando que um comportamento mais moderado na estrada no dia-a-dia pode ajudar a reduzir a factura energética, dos automobilistas e do país.
O kartódromo insere-se no conjunto de iniciativas destinadas a garantir a sustentabilidade financeira do autódromo. Pode mesmo, como admite Isabel Brazão, administradora da sociedade gestora, “cobrir todas as despesas operacionais do circuito como acontece em kartódromos de referência internacional”. Aliás, no ano passado, a maior fonte de receitas resultou de testes e apresentações de marcas automóveis.
As acções “fora de pista” são uma aposta para o futuro. Mas, salienta Isabel Brazão, “sem prejudicar ou interferir nas provas que nos orgulhamos de manter, como o MotoGP e o GT de Espanha, e nas que este ano resolveram vir para cá pela primeira vez, casos do campeonato Porsche Brasil ou uma etapa, em Setembro, do Le Mans Series”. Até porque, sublinha Domingos Piedade, mesmo com a impossibilidade de regresso da Fórmula 1, o Estoril “não pode desaparecer do mapa das corridas”.
|